Marina and the Diamonds – The Family Jewels [2010]

Ela tem 23 anos e aprendeu a tocar piano só para fazer seu début, The Family Jewels. Marina Diamondis, a cantora de voz bem trabalhada e sotaque inglês entrega aqui um disco todo confessional. E “confessional”, aqui, não é apenas um adjetivo aleatório. Em “Hollywood” ela diz “you look just like Shakira/no no, you’re Catherine Zeta/actually, my name’s Marina”; em “Girls” ela admite que “look like a girl/but I think like a guy”, e a terceira faixa do disco – uma das mais deliciosas, diga-se – é um simples “I Am Not a Robot”. Assim vai-se construindo (mais) uma nova cantora de indie-pop. Felizmente, o début não faz sentido apenas para Marina. E, ainda que tenha uns momentos desconfortáveis, The Family Jewels faz com que Marina and the Diamonds figure entre as boas promessas.
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Discovery – LP [2009]

E essa vibe clap your hands de “Orange Shirt”?, perguntou uma amiga quando lhe apresentei o Discovery, parceria entre o Rostam Batmanglij, do Vampire Weekend, e o Wes Miles, também vocalista do Ra Ra Riots. Sim, o Discovery tem isso, de acompanhar nas palmas e dançar na festa hype eletrônica. E não apenas o nome é convidativo nesse LP – “Can you Discover?” é de acompanhar cantando e fazendo eco com a voz, “Swing Tree” é de decorar em dois plays, “I Wanna be your Boyfriend” soa pop fácil por sua repetição e letra, mas foge do clichê em um minuto e vinte e dois segundos. O que uma batida eletrônica, umas palmas e umas pitadas de funk não fazem por uma festa, sobretudo para aquela galerinha que gosta de dançar, mal? A cereja do bolo é uma versão supimpa de “I Want You Back” dos Jackson 5. Nhac.
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Valgeir Sigurðsson – Draumalandið [2010]

Draumalandið é o título de um documentário islândes sobre exploração ao meio ambiente do país – sim, a letra no final do título do disco é característica única da língua mãe de artistas como Björk, os Sigur Rós e Emiliana Torrini. O caso, aqui, é que provavelmente poucos vão conseguir assistir ao filme inteiro e entende-lo, já que islândes não é uma língua fácil de aprender e o documentário Draumalandið não tem pretensões de se lançar fora da Islândia. No entanto, a trilha sonora do filme é tão boa que acaba se destacando como produção independente do cinema. Espere por paisagens, emoções fortes, melodias longas e cíclicas e uma e outra faixa cantada de forma desértica. Aliás, desértica não: Draumalandið é uma trilha sonora para vulcões e lugares gelados, trilha sonora para um filme que você nunca viu, de um país que você nunca visitou, de uma vida que você nunca viveu, de um sonho que você – ainda! – não ouviu. Pois já está na hora de fechar os olhos e sonhar.
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Ryan Adams – Heartbreaker [2000]

Ryan Adams é um cantor e compositor americano que desistiu de estudar, aos 16 anos, pra trabalhar em uma sapataria e escrever música. Apesar de ter começado tocando em bandas punks, ele fundou a banda Whiskeytown, que tem um gênero country-indie-alternativo. A banda lançou dois albuns (Faithless Street [1995] e Stranger’s Almanac [1997]) e se separaram no ano de 1999.
Talvez eu tenha um fraco por “nu-folk” e “country-alternativo”, mas admito que fui possuída por “Heartbreaker”, primeiro disco solo do Ryan Adams (lançado em 2000) e melhor do que qualquer coisa que Adams já tenha lançado com Whiskeytown. O álbum tem canções mais fortes, melhores arranjos e mostra um compositor mais maduro. Os destaques do álbum são as músicas acústicas, como “Damn Sam (I Love A Woman That Rains)”, que nos traz um Ryan Adams meio anos 60, meio Bob Dylan (embora com uma voz muito melhor); “Oh My Sweet Carolina”, “Come Pick Me Up” e “In My Time of Need”.
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Bernadette Seacrest – No More Music By Suckers [2004]
O álbum No More Music By Suckers, lançado em 2004, traz a bela voz de Bernadette Seacrest em composições melancólicas de Michael Grimes, co-fundador da banda Bernadette Seacrest and her Yes Men.
As raízes de Jazz e Blues que permeiam este álbum aliam-se perfeitamente à voz de Bernadette que, assim como as grandes musas do passado, tem uma sensualidade só sua.
No More Music By Suckers dispensa os improvisos, mas seus solos dão conta de todo o recado por carregarem uma tristeza profunda e comovente. Bernadette funde-se aos instrumentos; e a poesia das letras conversam intensamente com a melodia que a acompanha. É possível sentir essa troca na musicalidade harmônica de todo o álbum, mas vale destacar músicas que, com certeza, são as mais pedidas nos bares, desde Atlanta até a Europa, como: Tango, Cold In My Bed, Dream A Little Dream Of Me, Hear Tears Break My Heart e So Cruel.
Atualmente, Bernadette não está mais com os músicos do Yes Men, porém ela tem percorrido os USA com Charles Williams (guitarras e composições) e Kris Dale (baixo) em seu novo projeto, intitulado Bernadette Seacrest and her Provocateurs. Eles já lançaram o seu primeiro álbum: Filthy South Sessions, 2009, que, devo confessar, está ainda melhor!
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THEE MICHELLE GUN ELEPHANT – Gear Blues [1998]

Gear Blues é, sem dúvida, um dos álbuns mais lindos na história do Garage Rock. E, com certeza, o ápice do brilhantismo dos caras do THEE MICHELLE GUN ELEPHANT!
Lançado em 1998, Gear Blues combina eximiamente as influências derivadas do punk e do blues. O vocal rasgado de Chiba Yusuke aliado aos riffs distorcidos e alucinantes de Abe Futoshi são, definitivamente, os maiores marcos das músicas repleta de fúria. Já logo na primeira faixa eles mostram que não estão para firulas e com a força de um dos hits que ficou consagrado na história do TMGE, ウエスト・キャバレー・ドライブ (West Cabaret Drive), eles colocam pra foder e preparam seus ouvidos para as pancadas que ainda estão por vir, como ブライアン・ダウン (Brian Down), G.W.D e ダニー・ゴー (Danny Go).
O álbum inteiro é genial. E se você gosta de musicas garageiras não pode passar sem ouvir o som desses japas!
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Richie Kotzen – Acoustic Cuts [2003]

Acoustic Cuts, álbum acústico do renomado guitarrista Richie Kotzen (Poison e Mr. Big), nos leva (mais) além do que estavamos acostumados a esperar do Sr. Kotzen. Depois de nos ter mostrado um pouco de fusion, de rock/pop, de jazz e de soul… esqueçam todo o hard rock do cara! Como todo bom disco desplugado, o coração partido rola solto nas músicas. Agora é só voz e violão. Destaques para “High”, “Don’t Ask” e “Where Did Our Love Go”.
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Four Tet – There is love in you [2010]

Com inegável apuro e qualidade, There is love in you solidifica o amadurecimento do Four Tet, projeto do inglês Kieran Hebden, do Fridge. Identifico uma porção de gêneros em cada faixa, mas pode-se dizer que a base eletrônica do house é predominante e choca com leves tons de folk aqui e ali. Minimalismo total. Não à toa, o Four Tet também é conhecido por sua versatilidade (vide discos anteriores); inclusive já trabalhou no disco de remixes Versus, de 2001, do duo folk Kings of Convenience. Ao baixar There is love in you preste atenção que as músicas são redondíssimas, começando do jeito certo e terminando no momento oportuno. Essa noção do tempo cabível é clara em diversos momentos – perceba a pausa suave na metade de “She Just Likes to Fight”, quando a música recomeça; as camadas graduais de som em “Love Cry” e “This Unfolds”, as construções pouco óbvias de melodia em “Sing” e “Reversing” e, em destaque, as vozes devidamente entrecortadas na belíssima “Angel Echoes”, que abre o disco e é um marco imediato na carreira do Four Tet. Recomendo.
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Tv On The Radio – Return to Cookie Mountain [2006]
Com um som difícil de classificar e com seu estilo frequentemente descrito como “pós-punk rock”, Return to Cookie Mountain, terceiro álbum da banda nova-iorquina TV On The Radio, nos mostra a variedade da banda em estilos, incluíndo freejazz e trip-hop, um “quê” de soul e um toque de indie-rock dos anos 90, dando-lhes um som único e original. O álbum conta com vários vocalistas convidados, entre eles David Bowie (em “Province”), Katrina Ford, da banda Celebration (em “Wolf Like Me”) e Kazu Makino, da banda Blonde Redhead (em “Hours”).
Destaque para “Wolf Like Me”, single mais bem sucedido da banda nos Estados Unidos, onde ficou em #37 na Billboard Hot Modern Rock Tracks, em seu ano de lançamento, 2006.
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Fang Island – Fang Island [2010]

Há qualquer coisa de adolescente no som do Fang Island, tanto que por um pequeno segundo – apenas um pequeno segundo, ainda bem – enxerguei a sonoridade do velho Blink 182 em alguns solos de guitarra. Mas esqueça, Fang Island não tem nada a ver com o trio que andava pelado: é melhor, mais dreamy e alegre. Da adolescência o disco só tem a felicidade que você encontra nos amigos dessa época. Causando boa impressão no mundo pseudo-indie-hype-mainstream-indefinível, Fang Island começa e termina com fogos de artifício estourando – sério! – nas curtinhas “Dream of Dreams” e “Dorian”. O disco preza por músicas animadas apenas instrumentais, como “Careful Crossers”, que antecede a minha música favorita do disco, “Daisy”. Ao mesmo tempo, tem algo de mantra psicodélico nas letras que por vezes se repetem – “They are all within my reach./They are free”. Preste atenção também na suave “Davey Crockett”.
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